Misoginia (do grego μισέω, transl. miseó, "ódio"; e γυνὴ, gyné, "mulher") é o ódio, desprezo ou preconceito contra mulheres ou meninas. A misoginia pode se manifestar de várias maneiras, incluindo a exclusão social, a discriminação sexual, hostilidade, androcentrismo, o patriarcado, ideias de privilégio masculino, a depreciação das mulheres, violência contra as mulheres e objetificação sexual.[1][2] A misoginia pode ser encontrada ocasionalmente dentro de textos antigos relativos a várias mitologias. Além disso, vários filósofos e pensadores ocidentais influentes têm sido descritos como misóginos.
Em seu livro City of Sokrates: An Introduction to Classical Athens, J. W. Roberts argumenta que ainda mais antigo do que a tragédia e a comédia é a tradição misógina na literatura grega, que remonta, pelo menos a Hesíodo.[10]
A mais antiga, longa e completa passagem vem de um tratado moral conhecido como Sobre o casamento (c. 150 a.C.) do filósofo estoico Antípatro de Tarso.[11][12] Antípatro argumenta que o casamento é a base do Estado.[nota 1] Ele usa o termo misogunia para descrever o tipo de escritos que o trágico Eurípides evita, afirmando que ele "rejeita o ódio às mulheres na sua escrita" (ἀποθέμενος τὴν ἐν τῷ γράφειν μισογυνίαν). Antípatro então, oferece um exemplo disto, citando uma peça perdida de Eurípides em que os méritos de uma esposa obediente são elogiados.[12][13]
O outro uso sobrevivente da palavra grega original é por Crisipo de Solis, em um fragmento de Sobre afeição, citado por Galeno em Hipócrates sobre afeição.[14] Aqui, ele usa misogunia é o primeiro item de uma pequena lista de três "desafetos" -mulheres (misogunian), vinho (misoinian, μισοινίαν) e humanidade (misanthrōpian, μισανθρωπίαν). O ponto de Crisipo é mais abstrato do que Antípatro e Galeno cita a passagem como um exemplo de uma opinião contrária à sua própria. O que está claro, porém, é que ele agrupa o ódio às mulheres e ódio à humanidade em geral, e até mesmo o ódio ao vinho. "Foi a opinião médica dominante de sua época que o vinho fortalece o corpo e a alma da mesma forma." [15] Então, Crisipo, como seu companheiro estoico Antipatro, vê a misoginia negativamente, como uma doença; não gostar de algo que é bom. É esta questão de emoções conflitantes ou alternadas que era filosoficamente contenciosa para os antigos escritores. Ricardo Salles sugere que a visão estoica geral era de que "O homem pode não só alternam entre filoginia e misoginia, a filantropia e misantropia, mas será solicitado a cada um pelo outro".[16]
Aristóteles é acusado de ser um misógino ao escrever que as mulheres "homens imperfeitos",[17] diferente de Hipócrates, ele via semelhanças entre os corpos femininos e masculinos acreditando que mulheres era como homens, mas apenas com os órgãos internamente afixados em vez de externos. Aristóteles acreditava que o problema com as mulheres era que a mulher é mais fria, tem o sangue mais frio do que os homens, o que as impede de "cozinhar" o que comiam para ser transformado em sêmen, em vez disso, a mulher menstrua para se livrar do excedente consumido.[18][19] Também diferentemente de Hipócrates, ele acreditava que a menstruação era um momento difícil e não saudável para as mulheres. A falta de calor também significava que mulheres não poderiam ser tão inteligentes quanto os homens o que fazia acreditar que a estrutura social grega que mantinha as mulheres sobre o estrito controle masculino era justificada pela anatomia feminina.[20]
No Routledge philosophy guidebook to Plato and the Republic, Nicholas Pappas descreve o "problema da misoginia" e afirma:
A forma mais comum da palavra odiador de mulher é misogunaios (μισογύναιος).[23] Outra menções:
Também há pessoas facilmente saciadas com sua conexão com a mesma mulher, estando ao mesmo tempo enloquecidos por mulheres e sendo um "odiador de mulheres" — Fílon, Sobre as Leis Especiais, século I.[26]
Aliado a Vênus em posições honrosas, Saturno torna seus súditos "odiadores de mulheres", amantes da antiguidade, solitários, desagradáveis de se encontrar, ambiciosos, detestadores do belo— Ptolomeu, "Qualidade da Alma", Tetrábilo, século II.[27][28]
Vou provar a você que este maravilhoso professor, este "odiador de mulher", não está satisfeito com prazeres comuns durante a noite. — Alcifrão, "Tais para Eutidemo", século II.[29]
A palavra também é encontrada em Antologia de Vettius Valens e Princípios de Damáscio.[30][31]
Em resumo, a literatura grega considerava a misoginia uma doença - uma condição antissocial - em que se opunha a sua percepção do valor das mulheres como esposas da família e fundamento da sociedade. Esses pontos são amplamente observados na literatura secundária.[12]
Religião
Grécia Antiga
Na obra Misogyny: The World's Oldest Prejudice ("Misoginia: O preconceito mais antigo do mundo"), Jack Holland argumenta que há evidências de misoginia na mitologia do mundo antigo. Na mitologia grega de acordo com Hesíodo, a raça humana já havia experimentado uma existência pacífica e autônoma acompanhada dos deuses antes da criação das mulheres. Quando Prometeu decide roubar o segredo do fogo dos deuses, Zeus fica enfurecido e decide punir a humanidade com uma "coisa má para seu deleite". Esta "coisa má" é Pandora, a primeira mulher, que carregou um frasco (geralmente descrito - incorretamente - como uma caixa) que lhe foi dita para nunca abrir. Epimeteu (o irmão de Prometeu) é dominado por sua beleza, ignora as advertências de Prometeu sobre ela e se casa com ela. Pandora não pode resistir a espreitar o frasco e ao abri-lo ela desencadeia no mundo todo o mal; o parto, a doença, a velhice e a morte
As diferenças na tradição e nas interpretações das escrituras fizeram com que as seitas do cristianismo diferissem em suas crenças no que diz respeito ao tratamento das mulheres. Em seu livro The Troublesome Helpmate, Katharine M. Rogers argumenta que o cristianismo é misógino e lista o que ela diz que são exemplos específicos de misoginia nas Epístolas paulinas. Ela afirma: "Os fundamentos da misoginia cristã primitiva — culpa em relação ao sexo, sua insistência na sujeição feminina, seu temor à sedução feminina — estão todos nas epístolas de São Paulo".[34]
No livro de K. K. Ruthven, Feminist Literary Studies: An Introduction, Ruthven faz referência ao livro de Rogers e argumenta que o "legado da misoginia cristã foi consolidado pelos chamados Padres da Igreja, como Tertuliano, que pensava que uma mulher não era apenas "a porta do diabo", mas também "um templo construído sobre um esgoto".[35]
No entanto, alguns outros estudiosos têm argumentado que o Cristianismo não inclui princípios misóginos, ou pelo menos que uma interpretação adequada do cristianismo não deve incluir princípios misóginos. David M. Scholer, um estudioso bíblico no Seminário Teológico Fuller , declarou que o versículo Gálatas 3:28 ("Não pode haver judeu nem grego, não pode haver escravo nem livre, não pode haver homem nem mulher, pois todos vós sois um em Jesus Cristo.") é a base teológica fundamental paulina para a inclusão das mulheres e dos homens como parceiros iguais e mútuos em todos os ministérios da igreja".[36][37] Em seu livro Equality in Christ? Galatians 3.28 and the Gender Dispute, Richard Hove argumenta que - enquanto Gálatas 3:28 significa que o sexo de alguém não afeta a salvação - "permanece um padrão no qual a esposa deve emular a submissão da igreja ao Cristo (Efésios 5:21 a Efésios 5:33) e o marido deve imitar o amor de Cristo pela igreja."[38]
Em seu livro Christian Men Who Hate Women, a psicóloga clínica Margaret J. Rinck escreveu que a cultura social cristã muitas vezes permite um "uso indevido misógino do ideal bíblico de submissão". No entanto, ela argumenta que isso é uma distorção da "relação saudável de submissão mútua" que é realmente especificado na doutrina cristã, onde "O amor é baseado em um respeito profundo e mútuo como o princípio norteador de todas as decisões, ações e Planos".[39] Da mesma forma, o estudioso católico Christopher West argumenta que "a dominação masculina viola o plano de Deus e é o resultado específico do pecado".[40]
Islamismo
O Islamismo é uma das religiões mais misóginas do mundo. O Alcorão, assim como os diversos hádices, estabelecem claramente a inferioridade das mulheres, que são consideradas deficientes em inteligência e crença, podendo conduzir facilmente os homens à perdição e constituindo a maioria dos habitantes do Inferno.[41][42]
Um capítulo inteiro (ou sura) do Alcorão é chamado de "Mulheres" (An-Nisa). O verso 34 é um versículo chave na crítica feminista do Islã. O verso afirma: "Os homens são os protectores (ou guardiões) das mulheres, porque Alá fez uns superiores aos outros e porque eles gastam os seus bens para as manter. As boas mulheres são, portanto, obedientes, guardando o segredo como Alá ordenou que fosse guardado. Aquelas de quem você teme deslealdade, admoestai-as, e deixai-as sozinhas nos leitos e batei-lhes..."
Siquismo
Em seu livro City of Sokrates: An Introduction to Classical Athens, J. W. Roberts argumenta que ainda mais antigo do que a tragédia e a comédia é a tradição misógina na literatura grega, que remonta, pelo menos a Hesíodo.[10]
A mais antiga, longa e completa passagem vem de um tratado moral conhecido como Sobre o casamento (c. 150 a.C.) do filósofo estoico Antípatro de Tarso.[11][12] Antípatro argumenta que o casamento é a base do Estado.[nota 1] Ele usa o termo misogunia para descrever o tipo de escritos que o trágico Eurípides evita, afirmando que ele "rejeita o ódio às mulheres na sua escrita" (ἀποθέμενος τὴν ἐν τῷ γράφειν μισογυνίαν). Antípatro então, oferece um exemplo disto, citando uma peça perdida de Eurípides em que os méritos de uma esposa obediente são elogiados.[12][13]
O outro uso sobrevivente da palavra grega original é por Crisipo de Solis, em um fragmento de Sobre afeição, citado por Galeno em Hipócrates sobre afeição.[14] Aqui, ele usa misogunia é o primeiro item de uma pequena lista de três "desafetos" -mulheres (misogunian), vinho (misoinian, μισοινίαν) e humanidade (misanthrōpian, μισανθρωπίαν). O ponto de Crisipo é mais abstrato do que Antípatro e Galeno cita a passagem como um exemplo de uma opinião contrária à sua própria. O que está claro, porém, é que ele agrupa o ódio às mulheres e ódio à humanidade em geral, e até mesmo o ódio ao vinho. "Foi a opinião médica dominante de sua época que o vinho fortalece o corpo e a alma da mesma forma." [15] Então, Crisipo, como seu companheiro estoico Antipatro, vê a misoginia negativamente, como uma doença; não gostar de algo que é bom. É esta questão de emoções conflitantes ou alternadas que era filosoficamente contenciosa para os antigos escritores. Ricardo Salles sugere que a visão estoica geral era de que "O homem pode não só alternam entre filoginia e misoginia, a filantropia e misantropia, mas será solicitado a cada um pelo outro".[16]
Aristóteles é acusado de ser um misógino ao escrever que as mulheres "homens imperfeitos",[17] diferente de Hipócrates, ele via semelhanças entre os corpos femininos e masculinos acreditando que mulheres era como homens, mas apenas com os órgãos internamente afixados em vez de externos. Aristóteles acreditava que o problema com as mulheres era que a mulher é mais fria, tem o sangue mais frio do que os homens, o que as impede de "cozinhar" o que comiam para ser transformado em sêmen, em vez disso, a mulher menstrua para se livrar do excedente consumido.[18][19] Também diferentemente de Hipócrates, ele acreditava que a menstruação era um momento difícil e não saudável para as mulheres. A falta de calor também significava que mulheres não poderiam ser tão inteligentes quanto os homens o que fazia acreditar que a estrutura social grega que mantinha as mulheres sobre o estrito controle masculino era justificada pela anatomia feminina.[20]
No Routledge philosophy guidebook to Plato and the Republic, Nicholas Pappas descreve o "problema da misoginia" e afirma:
A forma mais comum da palavra odiador de mulher é misogunaios (μισογύναιος).[23] Outra menções:
Também há pessoas facilmente saciadas com sua conexão com a mesma mulher, estando ao mesmo tempo enloquecidos por mulheres e sendo um "odiador de mulheres" — Fílon, Sobre as Leis Especiais, século I.[26]
Aliado a Vênus em posições honrosas, Saturno torna seus súditos "odiadores de mulheres", amantes da antiguidade, solitários, desagradáveis de se encontrar, ambiciosos, detestadores do belo— Ptolomeu, "Qualidade da Alma", Tetrábilo, século II.[27][28]
Vou provar a você que este maravilhoso professor, este "odiador de mulher", não está satisfeito com prazeres comuns durante a noite. — Alcifrão, "Tais para Eutidemo", século II.[29]
A palavra também é encontrada em Antologia de Vettius Valens e Princípios de Damáscio.[30][31]
Em resumo, a literatura grega considerava a misoginia uma doença - uma condição antissocial - em que se opunha a sua percepção do valor das mulheres como esposas da família e fundamento da sociedade. Esses pontos são amplamente observados na literatura secundária.[12]
Religião
Grécia Antiga
Na obra Misogyny: The World's Oldest Prejudice ("Misoginia: O preconceito mais antigo do mundo"), Jack Holland argumenta que há evidências de misoginia na mitologia do mundo antigo. Na mitologia grega de acordo com Hesíodo, a raça humana já havia experimentado uma existência pacífica e autônoma acompanhada dos deuses antes da criação das mulheres. Quando Prometeu decide roubar o segredo do fogo dos deuses, Zeus fica enfurecido e decide punir a humanidade com uma "coisa má para seu deleite". Esta "coisa má" é Pandora, a primeira mulher, que carregou um frasco (geralmente descrito - incorretamente - como uma caixa) que lhe foi dita para nunca abrir. Epimeteu (o irmão de Prometeu) é dominado por sua beleza, ignora as advertências de Prometeu sobre ela e se casa com ela. Pandora não pode resistir a espreitar o frasco e ao abri-lo ela desencadeia no mundo todo o mal; o parto, a doença, a velhice e a morte
As diferenças na tradição e nas interpretações das escrituras fizeram com que as seitas do cristianismo diferissem em suas crenças no que diz respeito ao tratamento das mulheres. Em seu livro The Troublesome Helpmate, Katharine M. Rogers argumenta que o cristianismo é misógino e lista o que ela diz que são exemplos específicos de misoginia nas Epístolas paulinas. Ela afirma: "Os fundamentos da misoginia cristã primitiva — culpa em relação ao sexo, sua insistência na sujeição feminina, seu temor à sedução feminina — estão todos nas epístolas de São Paulo".[34]
No livro de K. K. Ruthven, Feminist Literary Studies: An Introduction, Ruthven faz referência ao livro de Rogers e argumenta que o "legado da misoginia cristã foi consolidado pelos chamados Padres da Igreja, como Tertuliano, que pensava que uma mulher não era apenas "a porta do diabo", mas também "um templo construído sobre um esgoto".[35]
No entanto, alguns outros estudiosos têm argumentado que o Cristianismo não inclui princípios misóginos, ou pelo menos que uma interpretação adequada do cristianismo não deve incluir princípios misóginos. David M. Scholer, um estudioso bíblico no Seminário Teológico Fuller , declarou que o versículo Gálatas 3:28 ("Não pode haver judeu nem grego, não pode haver escravo nem livre, não pode haver homem nem mulher, pois todos vós sois um em Jesus Cristo.") é a base teológica fundamental paulina para a inclusão das mulheres e dos homens como parceiros iguais e mútuos em todos os ministérios da igreja".[36][37] Em seu livro Equality in Christ? Galatians 3.28 and the Gender Dispute, Richard Hove argumenta que - enquanto Gálatas 3:28 significa que o sexo de alguém não afeta a salvação - "permanece um padrão no qual a esposa deve emular a submissão da igreja ao Cristo (Efésios 5:21 a Efésios 5:33) e o marido deve imitar o amor de Cristo pela igreja."[38]
Em seu livro Christian Men Who Hate Women, a psicóloga clínica Margaret J. Rinck escreveu que a cultura social cristã muitas vezes permite um "uso indevido misógino do ideal bíblico de submissão". No entanto, ela argumenta que isso é uma distorção da "relação saudável de submissão mútua" que é realmente especificado na doutrina cristã, onde "O amor é baseado em um respeito profundo e mútuo como o princípio norteador de todas as decisões, ações e Planos".[39] Da mesma forma, o estudioso católico Christopher West argumenta que "a dominação masculina viola o plano de Deus e é o resultado específico do pecado".[40]
Islamismo
O Islamismo é uma das religiões mais misóginas do mundo. O Alcorão, assim como os diversos hádices, estabelecem claramente a inferioridade das mulheres, que são consideradas deficientes em inteligência e crença, podendo conduzir facilmente os homens à perdição e constituindo a maioria dos habitantes do Inferno.[41][42]
Um capítulo inteiro (ou sura) do Alcorão é chamado de "Mulheres" (An-Nisa). O verso 34 é um versículo chave na crítica feminista do Islã. O verso afirma: "Os homens são os protectores (ou guardiões) das mulheres, porque Alá fez uns superiores aos outros e porque eles gastam os seus bens para as manter. As boas mulheres são, portanto, obedientes, guardando o segredo como Alá ordenou que fosse guardado. Aquelas de quem você teme deslealdade, admoestai-as, e deixai-as sozinhas nos leitos e batei-lhes..."
Siquismo
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